Em meio à escassez do produto, o Procon-DF notificou 11 estabelecimentos por preço abusivo. Valor chega a R$ 120 em alguns locais
 
Em meio à recomendação de isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, o aumento na demanda pelo gás de cozinha tem provocado filas quilométricas na frente de revendedoras de algumas regiões administrativas do Distrito Federal. A cena tem se repetido ao longo da semana em cidades como Ceilândia.
 
Empresas culpam a alta procura pelo botijão e o fato de que há pessoas fazendo estoque em casa, com medo de desabastecimento. O Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF), por sua vez, notificou 11 estabelecimentos por preços abusivos.
Na manhã desta quinta-feira (09/04), filas se formaram nos pontos de venda. Em Ceilândia, na Expansão do Setor O, passou de 2 km. A informação é de que o reabastecimento ocorra por volta das 14h.
 
Cecília Lopes, 34 anos, moradora da Asa Sul, conta que ligou para diversas revendedoras do Plano Piloto, Cruzeiro e de outras regiões na quarta (08/04). Nenhuma delas tinha gás disponível.
 “Todos me disseram que não havia previsão de chegar. Um dos revendedores me orientou a ir para a fila da central de abastecimento para conseguir comprar”, relatou.
 
Sem opção, Cecília precisou pedir socorro para a avó, que não se encontra na cidade. “Como ela está no Rio de Janeiro, liguei para ver se ela podia me emprestar o gás dela, já que eu estava com feijão e bolo no fogão”, disse.
 “Consegui ir até a casa dela buscar. Ainda estou preocupada porque não sei qual a quantidade ainda tenho”, explicou a assessora de imprensa.
 
O presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do DF (Sindvargas), Sérgio Costa, confirma que algumas revendas ainda estão desabastecidas e outras, recebendo o gás de forma fracionada.
“Há muita dificuldade de o GLP chegar ao DF. Também constatamos que clandestinos estão comprando o gás de revendas autorizadas para abordar clientes e oferecer o produto. Orientamos para que o consumidor não compre esses botijões”, alertou Costa.
Fiscalização
Marcelo Nascimento, diretor-geral do Procon-DF, instituto vinculado à Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Sejus), disse que o órgão tem recebido, desde a semana passada, denúncias sobre o aumento do preço do gás de cozinha.
“Já começamos a fiscalizar os estabelecimentos. Estivemos em 80 revendedoras de 24 regiões administrativas do DF. Até o momento, notificamos 11 locais em que o valor estava na margem de R$ 90”, assinalou Nascimento.
 
Segundo o diretor-geral, o grande problema é que o produto não está sendo encontrado pelos consumidores. “Há falta do botijão de gás. Na maioria dos estabelecimentos que visitamos, pedimos aos responsáveis para ver o estoque e armazenamento e eles não tinham o produto.”
“Também solicitamos a apresentação das notas fiscais e de cupons de venda para a gente fazer o balanço e ver se está de fato havendo aumento injustificável na venda do produto”, acrescentou Marcelo.
De acordo com o titular do Procon-DF, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) está fornecendo informações sobre o abastecimento e a distribuição.
“Segundo a agência, não está faltando o produto e a situação será normalizada. Pedimos para que os consumidores continuem denunciando a prática e apontem a localidade e o nome do estabelecimento onde o preço está abusivo. Ainda aconselhamos que não estoquem o gás. Além de ser perigoso, não há necessidade”, frisou Nascimento.
O Procon-DF atende o consumidor por telefone e pela internet. Para denunciar, ligue nos números: 151 e 3218 -7718 (dias úteis). Ou pelo e-mail 151@procon.df.gov.br.
Preço da crise
Na capital do país, o preço do gás de cozinha chegou a R$ 120 esta semana, com a taxa de entrega. Desde o início da quarentena imposta para evitar a disseminação do novo coronavírus, a escalada do valor já havia sido notada. E não para. Antes da medida, a recarga do botijão custava R$ 70. Ou seja, agora, o brasiliense observa aumento de 71,4% em pouco tempo.
De acordo com o presidente do Sindvargas-DF, Sérgio Costa, desde 2002 vigora no Brasil o regime de liberdade de preços. “Não há preço mínimo ou preço máximo. É claro que o sindicato repudia todo tipo de ações de preços abusivos, ainda mais neste momento”, enfatizou.
Segundo Costa, além do Procon-DF, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) estão monitorando o mercado e tomaram medidas para conter abusos.
A Petrobras enviou posicionamento reiterando que está ampliando o fornecimento de GLP a fim de garantir o abastecimento do mercado. A estatal voltou a pontuar que “não há risco de falta do produto nem qualquer necessidade de estocar botijões de GLP”.
A empresa ressaltou também que o volume total contratado em abril para importação é quase o triplo do usual importado em períodos normais.
Reconheceu ainda que houve redução do processamento das refinarias, isso em razão de uma queda da demanda dos demais combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação. E acrescentou que a redução da produção de GLP por parte da Petrobras está sendo compensada pelas importações do produto.
Fonte - Metrópoles