Unidade de saúde recebe pacientes de todas as regiões do Distrito Federal e Entorno
 
 
“Mais que um trabalho. Esta missão é sobre amar as pessoas que passam por aqui”. A declaração é do cirurgião-dentista Diego Sindeaux, que integra a equipe do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), referência em atendimento odontológico a pessoas com deficiência (PcD) no Distrito Federal e Entorno. Administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), o hospital faz, em média, 95 atendimentos de pacientes com deficiência por mês — 85 no ambulatório e 10 no centro cirúrgico.
 
Diego Sindeaux mora em Montes Claros (MG) e percorre semanalmente cerca de 670 quilômetros até o HRSM. “Estou cursando medicina em Minas Gerais, mas não consigo abrir mão deste trabalho com os pacientes PcD. Venho, faço dois plantões e volto para casa”, conta o dentista de 35 anos. “Além de ser meu emprego, é um trabalho social que aprendi a amar.”
 
Colega de profissão de Diego, Dryele Flores, 27 anos, também faz parte da equipe multiprofissional responsável pelas cirurgias em pacientes com deficiência no Hospital de Santa Maria. “Somos um grupo muito unido composto por dentistas, médicos anestesistas e enfermeiros”, explica. “Sinto-me extremamente útil ao ajudar pessoas que, muitas vezes, não têm recursos para pagar por um tratamento dentário”, completa. As cirurgias em PcD no HRSM ocorrem às quartas-feiras, nos turnos da tarde e da noite.
 
Uma das pacientes atendidas neste mês por Diego e Dryele foi Graziele da Costa, 31 anos, que tem microcefalia. “Este atendimento é uma grande conquista. Quem tem filho especial sabe que tudo é mais difícil. Antes de conhecer o serviço daqui, a minha filha nunca tinha conseguido receber tratamento odontológico”, conta a mãe, a dona de casa Juraci da Costa, 52 anos, após a bem-sucedida cirurgia de extração de dentes.
 
Juraci diz fazer questão de divulgar o trabalho do Núcleo de Odontologia do HRSM para que outros pais também conheçam. “Meu marido e eu procuramos atendimento particular para ela várias vezes, mas é tudo extremamente caro. Não teríamos condições.”
 
Se Juraci e o marido pagassem pela cirurgia na rede particular, o valor seria de R$ 15 mil a R$ 30 mil, por envolver uma equipe médica grande e cuidados especiais, de acordo com a chefe do Serviço de Odontologia e Cirurgia Bucomaxilofacial do HRSM, a cirurgiã-dentista Érika Maurienn.
 
Outro paciente que passou pelo núcleo odontológico em janeiro foi Alessandro Tavares, 15 anos, que tem autismo. Sete dias após a cirurgia de extração e restauração de dentes, ele retornou ao hospital para avaliar a cicatrização. “Como ele não me deixa fazer a escovação em casa, percebi que sentia muita dor de dente. Só essa equipe foi capaz de cuidar do caso dele”, conta a tia do adolescente, Odenéze Tavares. “Ele não fala, mas percebo que não sente mais dor nenhuma.”
 
Alessandro mora com a tia há apenas cinco meses. No começo, a dona de casa se sentia incapaz de cuidar de um jovem com autismo. “Ele foi criado distante de mim, portanto, não havia laços de afeto entre nós. Eu tive medo de não dar conta. É uma luta diária, mas, com o passar do tempo, a gente vai adquirindo amor e experiência”, diz Odenéze, que se alegra ao perceber que o sobrinho está cada vez mais apegado a ela. “Hoje ele é meu filho e tem todo o meu amor.”
 
Atendimento odontológico para PcD
 
Foto: Davidyson Damasceno/Ascom Iges/DF
 
Além de extrações e restaurações, os procedimentos em pacientes com deficiência na unidade de saúde do Iges-DF incluem tratamento de canal, raspagem (limpeza), biópsia e remoção de cistos e de tumores benignos. São atendidos desde bebês até idosos.
 
“A primeira tentativa de atendimento é sempre ambulatorial, no consultório odontológico. Nos casos de pacientes com movimentos involuntários, a equipe faz a estabilização utilizando um colchão especial. Quando a estabilização fica inviável, a pessoa é encaminhada, via regulação, para o centro cirúrgico, onde recebe anestesia geral”, detalha Érika Maurrien.
 
Como conseguir o atendimento
 
O primeiro passo para pessoas com deficiência receberem o atendimento odontológico no HRSM é ir à unidade básica de saúde (UBS) mais próxima de casa. Lá, o dentista avalia se pode resolver o caso. Não é todo paciente PcD que tem perfil hospitalar e necessita de um centro de especialidades. “O dentista da UBS cuida de situações de simples manejo, como prevenção”, exemplifica a cirurgiã-dentista Dryele Flores.
 
Quando o caso é mais complexo, a UBS pode encaminhar o paciente ao Hospital de Santa Maria, por meio da regulação da Secretaria de Saúde. No HRSM, a equipe avalia se o atendimento é ambulatorial ou cirúrgico.
 
Núcleo de Odontologia do HRSM
De segunda a sexta-feira, das 7h às 19h
Cirurgias: às quartas-feiras, nos períodos vespertino e noturno
Quadra AC 102, Conjuntos A a D, s/nº, Santa Maria
(61) 4042-7770
Obs.: os atendimentos de urgência são por meio do pronto-socorro, e os eletivos são encaminhados pelas UBSs.
 
* Com informações do Iges/DF
 
Fonte - Metrópoles