Categoria se reuniu na manhã desta terça-feira (22/2), no estacionamento da Funarte, e elencou suas exigências ao governo local
 
Rafaela Felicciano/ Metrópoles
 
Uma semana após o início do ano letivo no Distrito Federal, professores de escolas públicas da capital fizeram, nesta terça-feira (22/2), uma assembleia com paralisação de atividades. O encontro, no estacionamento da Funarte, no Eixo Monumental, foi alvo de críticas da Secretaria de Educação do DF e do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF). Durante o ato, a categoria marcou uma nova paralisação, para 24 de março.
 
Na segunda-feira (21/2), diante da convocação do sindicato aos professores, o governador Ibaneis reagiu negativamente ao movimento. “A gente vê com muita tristeza. As crianças estão aí há quase dois anos afastadas do convívio escolar. Nós não temos nenhum tipo de problema que leve a uma greve”, comentou o emedebista.
 
Secretaria de Educação também avaliou duramente a iniciativa e emitiu um parecer no qual afirmou que “a presidente do sindicato dos professores, sendo pré-candidata a governadora, parece estar misturando a atividade sindical com sua própria pretensão eleitoral”. “A gente espera que os professores e os educadores não sejam usados por essa vontade política de prejudicar as nossas crianças e os nossos adolescentes”, frisou Ibaneis.
 
Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que fez patrulhamento na área onde ocorreu a assembleia, cerca de 2 mil professores passaram pelo local. Em nota publicada no site do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), a entidade afirma que, entre as pautas, estão recomposição salarial, segurança sanitária no ambiente escolar, combate à reforma administrativa, novo ensino médio e luta contra a implementação de projetos – como homeschooling, voucherização do ensino e militarização das escolas.
 
Em 9 de março, representantes do Sinpro vão se reunir com o secretário da Economia do DF, José Itamar Feitosa, para discutir pautas financeiras.
 
Presente durante a paralisação, o deputado distrital Fábio Felix (PSol) criticou o posicionamento do governador sobre o ato e classificou a manifestação do chefe do Executivo local como uma “atuação autoritária”. Também opositores do atual governo, os parlamentares distritais Leandro Grass (PV) e Reginaldo Veras (PDT) marcaram presença no evento, bem como a deputada federal Érika Kokay (PT).
 
Salas de aula
 
Questionado sobre a taxa de adesão de professores ao movimento, o Sinpro-DF disse que “a chamada é para paralisação geral da categoria”. No entanto, não soube informar quantos educadores deixaram de entrar em sala de aula nesta terça para comparecer à assembleia.
 
Para a professora do CEI 04 de Brazlândia Claudiane França, 50 anos, a falta de investimento da Secretaria de Educação nas salas de aula dificulta o trabalho. “Teve um aumento de 25% dos alunos nas salas de aula e não teve melhoria na infraestrutura. A pasta não quer conversar com a gente. A gente tem que vir [para a luta]”, declara.
 
No ato, a presidente do Sinpro-DF, Rosilene Corrêa, também criticou a falta de investimento na infraestrutura durante a volta às aulas. “Foram mais de 26 mil novas matrículas. E esses estudantes estão sendo simplesmente jogados nas salas de aulas, lotando nossas escolas, e isso compromete a qualidade do ensino e a saúde do professor”, reclama.
 
Ao fim da assembleia, os professores seguiram em carreata e finalizaram o ato com carro de som em frente ao Palácio do Buriti.
 
Fonte - Metrópoles